Historicamente marcado por altos índices de desmatamento associados à pecuária, o território hoje abriga uma experiência transformadora: 43 mulheres organizadas na Associação das Mulheres Produtoras de Polpa de Fruta (AMPPF) vêm convertendo áreas antes degradadas em sistemas agroflorestais produtivos, que combinam espécies nativas, frutíferas e cultivos da agricultura familiar.
Com o apoio do programa Florestas de Valor do Imaflora, apoiado pela Petrobrás, essas produtoras estruturaram sua produção e consolidaram um modelo que alia geração de renda, conservação ambiental e fortalecimento comunitário.
Um dos principais motores dessa transformação é o acesso ao mercado institucional, por meio do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). A política pública conecta diretamente a produção local à alimentação de crianças e adolescentes da rede pública, garantindo demanda estável e valorizando a sociobiodiversidade.
A partir dessa articulação, a associação criou a marca “Delícia do Quintal”, voltada ao beneficiamento de frutas que antes se perdiam nos quintais. Em apenas um ano, a iniciativa movimentou cerca de R$ 375 mil, consolidando-se como referência local de empreendedorismo feminino.
Mais do que resultados econômicos, o impacto é visível no território e na vida das famílias. A recomposição produtiva por meio dos sistemas agroflorestais reduz a pressão por novas áreas de desmatamento, ao mesmo tempo em que amplia investimentos em alimentação, saúde e educação.
A experiência de São Félix do Xingu reforça que políticas públicas como o PNAE, aliadas ao apoio técnico e à organização comunitária, podem impulsionar cadeias produtivas sustentáveis e promover um modelo de desenvolvimento que integra inclusão social, segurança alimentar e conservação da floresta.
Fortalecer a agricultura familiar é também fortalecer o futuro da Amazônia.



