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Comunicado conjunto de organizações da sociedade civil sobre a Moratória da Soja

02/02/2026

A decisão da ABIOVE e das grandes traders de soja que ela representa, de se retirarem da Moratória da Soja, representa um retrocesso ambiental grave e um rompimento unilateral com um compromisso que, por quase 20 anos, sustentou a reputação da soja brasileira livre de desmatamento nos mercados internacionais. 

 

Ao esvaziar a Moratória, essas empresas assumem integralmente a responsabilidade pelos impactos ambientais, climáticos e reputacionais decorrentes da possível retomada do desmatamento associado à soja na Amazônia. Sem um mecanismo equivalente, transparente e independente de controle do desmatamento, a saída dessas traders reintroduz o risco de que a soja brasileira volte a estar diretamente ligada à destruição da floresta. 

 

Empresas associadas à ABIOVE que abandonaram a Moratória da Soja 

ADM DO BRASIL 

AGREX

AGRÍCOLA ALVORADA

AMAGGI 

BTG PACTUAL 

BUNGE 

CARGILL 

CHS 

CJ SELECTA 

COFCO 

DUAL 

FIAGRIL 

IMCOPA 

LOUIS DREYFUS COMPANY 

(LDC) 

3TENTOS 

 

É fundamental deixar claro que a Moratória da Soja está sendo esvaziada por uma decisão unilateral da ABIOVE e das traders que ela representa, que escolheram abandonar o principal acordo de desmatamento zero da cadeia da soja do mundo. 

 

Essa escolha não é uma obrigação legal, mas uma decisão empresarial. Ao optarem por sair da Moratória, essas empresas sinalizam que, em detrimento de compromissos reais com o desmatamento zero, estão priorizando o acesso a incentivos via recursos públicos, que tampouco se comprometem com o combate às mudanças climáticas. Trata-se de uma troca explícita: floresta por benefício financeiro. 

 

As consequências são concretas. Estimativas da TNC indicam que o fim da Moratória da Soja pode resultar no desmatamento de até 9,2 milhões de hectares na Amazônia, uma área equivalente ao território de Portugal. Esse cenário compromete diretamente a meta brasileira de zerar o desmatamento até 2030 e coloca em risco os compromissos climáticos assumidos pelo país. 

 

As traders listadas acima, que abandonam a Moratória, terão de prestar contas aos seus clientes, investidores, consumidores, ao mercado internacional e ao povo brasileiro. Já as empresas que desejam seguir com os critérios da Moratória da Soja enfrentam maior insegurança na rastreabilidade de suas cadeias, justamente porque parte relevante do setor decidiu abandonar regras claras, públicas e verificáveis. 

 

Diante desse retrocesso, fazemos um chamado direto aos grandes compradores corporativos de soja - empresas de alimentos, proteína animal e varejo - para que exijam de seus fornecedores a manutenção dos critérios ambientais da Moratória da Soja, independentemente da decisão dessas traders. Transparência e responsabilidade socioambiental não são opcionais. 

 

As organizações da sociedade civil abaixo-assinadas, que fazem parte do organismo gestor da Moratória da Soja, seguem comprometidas com a proteção da Amazônia e com o desmatamento zero. Lutamos por quase duas décadas para construir essas salvaguardas. Se o desmatamento voltar a avançar impulsionado pela soja, a responsabilidade será clara e terá nome. 

 

 

02 de fevereiro de 2026

Comunicado conjunto das organizações da sociedade civil sobre a Moratória da Soja

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