Logo

Rastreabilidade e agroflorestas: os caminhos que a ExpoCacau 2026 apontou para o setor

04/09/2026

*Escrito por Victor Neves

 

Com 5.600 participantes, a ExpoCacau 2026 reforçou sua posição entre os maiores encontros da cadeia produtiva do cacau no país e colocou no centro do debate duas agendas que tendem a definir o setor nos próximos anos: a produção em sistemas agroflorestais e a rastreabilidade da origem.  

 

O cultivo de cacau em SAFs foi um dos temas mais recorrentes das discussões, sustentado pelo argumento de que esse modelo de produção amplia a geração de renda, fortalece a segurança alimentar e nutricional e reduz a exposição das lavouras aos extremos climáticos. Essa última função ganhou peso diante da previsão do El Niño, cujos efeitos já aparecem nos principais países produtores. O cenário aponta a necessidade de avançar em dois campos: mecanismos de resiliência produtiva, que mitiguem impactos no campo, e instrumentos de proteção de mercado, capazes de garantir rastreabilidade e transparência de informação para todos os elos da cadeia.  

 

Nesse âmbito, o Imaflora apresentou durante o evento a Cartilha de Rastreabilidade do Cacau, ferramenta desenvolvida com apoio da AIPC para orientar produtores, cooperativas e empresas na adequação às exigências de transparência e conformidade socioambiental. Ao dar visibilidade à origem do cacau, é possível comprovar que o fruto vem de áreas livres de desmatamento e de modelos que respeitam a floresta, o que se converte em valor comercial e em renda para quem produz.  

 

O debate sobre garantias e salvaguardas também abriu espaço para a discussão de protocolos de certificação específicos para o cacau, tema puxado pela presença da Rainforest Alliance nas mesas do evento. A leitura predominante é de que a valorização da origem deixou de ser diferencial de nicho e começa a se estruturar como exigência de mercado.  

 

A participação do Pará ganhou destaque nesse contexto. No âmbito do Cacau 2030, o Imaflora mobilizou seis atores estratégicos da cadeia paraense para o evento, ampliando o intercâmbio entre territórios produtores — um dos principais motores de melhoria produtiva e de qualidade de vida no campo. O estado concentra parte decisiva da equação entre produção e conservação, sobretudo na Transamazônica, região historicamente pressionada pelo desmatamento.  

 

Fora da programação oficial, uma visita ao Projeto Onça, cooperativa de Taperoá, no Baixo Sul da Bahia, aproximou experiências da cadeia do guaraná. O Imaflora atua há dez anos nesse elo no Amazonas, e a conexão entre regiões produtoras se mostra cada vez mais relevante na busca por ganhos de qualidade e acesso a mercado.  

 

O balanço da edição sugere uma agenda de trabalho para os próximos ciclos: consolidar parcerias, avançar em protocolos de rastreabilidade e certificação adaptados ao cacau e ampliar a escala dos sistemas agroflorestais como resposta produtiva e climática. É nessa direção que se constrói uma cadeia mais transparente, justa e sustentável.

Newsletter

Não perca nenhuma novidade ou oportunidade! Assine nossa newsletter e receba diretamente no seu e-mail atualizações sobre nossos projetos, eventos, cursos, publicações e notícias do setor.


Contato

Sede

Escritórios

    © Todos os direitos reservados.

    Desenvolvido por MarkCom.