Encontro concentrou produtores, pesquisadores e empresas de 29 municípios e quatro estados em dez horas de programação técnica sobre manejo, qualidade das amêndoas e sistemas agroflorestais.

URUARÁ (PA) — Mais de 400 pessoas participaram, no dia 17 de julho, do 4º Seminário de Manejo de Alta Produtividade do Cacau no Estado do Pará, realizado no Complexo Esportivo da Vila Brasil, em Uruará. Produtores rurais, pesquisadores, extensionistas, agrônomos, estudantes, empresas e instituições públicas vindos de 29 municípios e de quatro estados brasileiros acompanharam dez horas de programação, distribuídas em seis painéis técnicos e duas oficinas participativas.
A concentração de público em um município da Transamazônica indica o peso que a região passou a ter na discussão técnica da cacauicultura brasileira. O Pará é hoje o maior produtor nacional de cacau, e a Transamazônica responde por parte relevante dessa produção, em um momento em que produtores e indústria buscam ganhos simultâneos de produtividade e de qualidade das amêndoas.
Uma agenda que percorreu a cadeia inteira
A programação foi estruturada para cobrir o percurso que vai da lavoura ao mercado. Os painéis trataram de produtividade, qualidade das amêndoas, relação mercado e El Niño, sustentabilidade, crédito rural, sistemas agroflorestais, agregação de valor e inovação. A sequência dos temas seguiu uma lógica de cadeia: o que o produtor decide no campo determina o que a indústria recebe, e o que o mercado exige realimenta as decisões técnicas na propriedade.

Foram 10 horas de programação, das 8h às 18h, organizadas em seis painéis técnicos e duas oficinas participativas simultâneas.
O dia começou com o painel "Raio-X da cacauicultura: entenda melhor seu negócio", com Josias Amaral, da Labor Rural, e Josinara Galdino Garcia e Patrícia Lucatelli, da Earthworm Foundation, sob mediação de João Eduardo Ávila, coordenador de projetos ESG do Imaflora e do Projeto Cacau 2030. A discussão tratou de custos de produção e indicadores de viabilidade econômica, tema que voltaria ao longo do dia.

Na sequência, dois painéis foram dedicados ao mercado. Adilson Reis, fundador do portal Mercado do Cacau, apresentou o panorama de preços, oferta e demanda. Lucca Bezzon, analista de inteligência de mercado da StoneX Brasil, tratou especificamente da influência climática sobre a formação de preços da commodity. Ambos foram mediados por Evandro Guimarães.

O painel de crédito rural reuniu Jorgeclei Silva, da JS Rural, e representantes do BASA, do Banco do Brasil e do Sicredi, com mediação de Rosana Pandolfo, diretora operacional do Viveiro Diva. O foco foi o acesso prático às linhas disponíveis, em uma região onde a expansão da área plantada depende de capital de implantação com carência compatível com o ciclo do cacaueiro.

O último painel tratou de qualidade de amêndoas e certificação como via de acesso a mercados, com Luciana Monteiro, engenheira de alimentos e fundadora da Ara Cacao, e Gabriele Calle Bouças, coordenadora de Certificações e Verificações Agrícolas do Imaflora.

Mesa das Amêndoas Campeãs: de produtor para produtor
O painel de maior densidade prática foi a Mesa das Amêndoas Campeãs, que ocupou a primeira hora e quinze da tarde e reuniu produtores da Transamazônica premiados em concursos nacionais e internacionais de qualidade.

Participaram Lídia Rosa e Gilmar Batista de Souza e Myriam Federicci Vieira e Leomar Silva Vieira, os dois casais com medalha de ouro no Cocoa of Excellence, Osny Ramos, campeão paraense de cacau especial de 2024, e Helton Gutzeit, terceira geração da família Gutzeit à frente da Fazenda Panorama, também premiada em concursos nacionais. A mediação coube a Marco Bonamico, secretário executivo da Rota do Cacau no polo Transamazônica.

O formato dispensou apresentação técnica convencional. Os produtores expuseram, para uma plateia de outros produtores, as decisões que levaram às amêndoas premiadas: ponto de colheita, condução da fermentação, controle da secagem e os ajustes feitos safra após safra até chegar ao padrão reconhecido pelos concursos. Boa parte do que define o valor final da amêndoa se decide nessas etapas de pós-colheita, que dependem menos de investimento e mais de método e observação.
A mesma lógica orientou uma das duas oficinas do fim da tarde. A Oficina de Fermentação das Amêndoas Campeãs foi conduzida por Osny Ramos, campeão paraense de cacau especial de 2024 na categoria blend e sócio-fundador da Cacau Connect e da Caupé Chocolates Artesanais, e por Robson Brogni, da Cacau Connect, com mediação de Luciana Monteiro. O recorte foi direto: como a fermentação se traduz em diferença de preço recebido.

Agenda agroflorestal para a Transamazônica
Simultaneamente, a Oficina de Sistemas Agroflorestais reuniu técnicos, pesquisadores, produtores rurais e estudantes. Conduziram a atividade Daniel P. P. Braga, professor da Universidade Federal do Pará, e Rogério Brito, consultor técnico da Cooperação Alemã para o Desenvolvimento Sustentável (GIZ), com participação dos produtores Élido Trevisan e Jiovana Lunelli, e também de Edmarcos Xavier, supervisor do Nestlé Cocoa Plan na região.

O formato foi colaborativo. Em vez de apresentar modelos prontos, a oficina partiu das limitações reais informadas por quem cultiva na região, como disponibilidade de mudas, custo de implantação, mão de obra, escolha de espécies consorciadas e prazo de retorno, para construir propostas aplicáveis ao território.
Entrada solidária
A inscrição no seminário era gratuita, e sugerida à doação de um quilo de alimento não perecível. O modelo reuniu quase 500 quilos de alimentos, destinados a famílias em situação de vulnerabilidade.
Quarta edição reforça trajetória do seminário
Realizado pela Vila Vital Agroflorestas, o 4º Seminário de Manejo de Alta Produtividade do Cacau no Estado do Pará contou com parceria institucional do Cacau 2030, CocoaAction Brasil e Imaflora. O evento teve patrocínio Diamante da Gencau; patrocínio Ouro de Barry Callebaut, Yara, Cargill e Nestlé Cocoa Plan; patrocínio Prata da CCF Insumos; e apoio da GIZ – Cooperação Alemã para o Desenvolvimento Sustentável, Emater-Pará, JS Rural, Labor Rural, Mercado do Cacau, Prefeitura de Uruará, Sindicato dos Produtores Rurais de Uruará, StoneX Brasil e Viveiro Diva. A quarta edição reforça a consolidação do seminário como uma referência para a difusão de conhecimento técnico e para a articulação da cadeia produtiva do cacau na Amazônia, aproximando produtores, empresas, instituições de pesquisa e organizações do setor em torno de uma cacauicultura cada vez mais produtiva, sustentável e competitiva..
Ficha técnica
Parceria institucional: Cacau 2030, CocoaAction Brasil, Imaflora e World Cocoa Foundation
Patrocínio Diamante: Gencau
Patrocínio Ouro: Barry Callebaut, Yara, Cargill e Nestlé Cocoa Plan
Patrocínio Prata: CCF Insumos
Apoio: GIZ – Cooperação Alemã para o Desenvolvimento Sustentável
Emater Pará, JS Rural, Labor Rural, Mercado do Cacau, Prefeitura de Uruará, Sindicato dos Produtores Rurais de Uruará (Sinprur), StoneX Brasil e Viveiro Diva
Realização: Vital Agrofloresta



