Parcerias comerciais valorizam produtos da sociobiodiversidade
30/07/2015
Da Terra do Meio (PA) para o mundo, o Protocolo Comunitário é um modelo de diálogo que define as bases do comércio entre as comunidades fornecedoras de matérias primas – óleos, castanhas e essências nativas da Amazônia – e a indústria. A proposta valoriza os séculos de conhecimento tradicional da população local, que extraem matérias primas sem degradar a floresta. Sob o ponto de vista do Protocolo Comunitário, comunidades e empresas estão do mesmo lado e o diálogo é a chave para boas relações.
Apoiadas por organizações não governamentais, como o Imaflora, parceiros locais e por órgãos públicos, algumas comunidades tradicionais que sobrevivem do uso sustentável da biodiversidade amazônica acabam de estabelecer uma linha de base para o comércio ético de produtos da sociobiodiversidade.
“O Protocolo expressa o ponto de vista comunitário sobre como devem se dar as relações comerciais, de forma que reconheçam a contribuição destes povos para a conservação da Amazônia”, diz Patrícia Cota Gomes, coordenadora de projetos do Imaflora.
A Mercur, líder no mercado de artefatos de borracha, participou da construção do modelo enviando representantes para a região da Terra do Meio, onde encontrou a comunidade preparada para o diálogo. O compromisso de entregar produto de qualidade tinha como contrapartida da empresa uma relação de longo prazo, a valorização dos modos de vida local e o respeito pelas outras atividades do cotidiano das comunidades, o que permite aos extrativistas garantir a segurança alimentar da família cuidando de suas roças. O valor pago pelo quilo do látex mais que dobrou. Como contrapartida para a conservação, durante a coleta do látex, os extrativistas percorrem a área e identificam atividades ilegais e predatórias.
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