O Relatório Analítico da Coleção 13 do Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa (SEEG) foi lançado nesta semana pelo Observatório do Clima. A análise complementa os resultados referentes a 2024, que já haviam sido atualizados na plataforma SEEG no final de 2025. A análise completa mostra que as emissões brutas de gases de efeito estufa do Brasil totalizaram 2,1 bilhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente (GtCO₂e), uma redução de 16,7% em relação ao ano anterior. O Imaflora é responsável pela estimativa das emissões do setor agropecuário, que correspondeu a 29% das emissões nacionais em 2024.
A redução das emissões brasileiras está fortemente associada ao setor de Mudanças de Uso da Terra e Florestas. Em 2024, a queda do desmatamento na Amazônia e no Cerrado, no contexto de ações do governo, provocou a maior redução de emissões da história: 32,5%. Em todos os outros setores da economia, as emissões ficaram praticamente estáveis ou subiram: queda de 0,7% em agropecuária, alta de 0,8% em energia, 2,8% em processos industriais e 3,6% em resíduos.
Em termos absolutos, no setor agropecuário, as emissões foram estimadas em 626 milhões de toneladas de CO₂e (MtCO₂e). A redução observada no setor está associada, entre outros fatores, à ligeira retração do rebanho bovino (-0,2%), ao aumento da participação de bovinos de corte em confinamento (+11%) e à redução no uso de fertilizantes minerais nitrogenados (-3,8%) e de calcário (-3,3%). “O sistema de confinamento, caracterizado por maior eficiência alimentar, está associado a menores fatores de emissão. De maneira simplificada, dietas com maior digestibilidade proporcionam maior consumo de alimento com menor emissão de metano”, explica Priscila Alves, analista em Ciência do Clima do Imaflora.
Grande parte das emissões do setor agropecuário está associada à fermentação entérica, cujo gás emitido é o metano, liberado principalmente pela eructação animal (o popular “arroto” do boi). De maneira geral, o metano correspondeu a 70,2% das emissões totais do setor. “O metano é um gás estratégico no contexto da mitigação, devido ao seu elevado potencial de aquecimento global em relação ao dióxido de carbono. Práticas como a terminação intensiva, a recuperação de pastagens degradadas e a adoção de sistemas integrados, incentivadas pelo Plano ABC+, contribuem para a redução das emissões deste gás, ao promover maior eficiência produtiva e, consequentemente, redução da idade ao abate”, afirma Priscila.
Segundo a especialista, é importante ressaltar que há boas iniciativas públicas e privadas para uma agropecuária ambientalmente responsável. “O desafio é dar escala e ter estratégias para que o setor ganhe produtividade, reduza emissões e promova a incorporação e manutenção do carbono nos solos agrícolas”, finaliza.
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