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Encontro de Jovens Quilombolas em Oriximiná debate resistência, cultura alimentar e o futuro dos territórios

27/07/2026

 Com o tema "Nossa Voz, Nossa História", o evento reuniu mais de 200 jovens e lideranças comunitárias no território Mãe Domingas para discutir protagonismo juvenil, ancestralidade e políticas públicas como o PNAE. 
 

Com a plenária lotada, os jovens conheceram mais sobre a trajetória das lideranças que estão à frente das associações
 

Mais de 200 jovens quilombolas e lideranças comunitárias de Oriximiná estiveram reunidos no território quilombola de Mãe Domingas neste mês de julho para debater o protagonismo, transformação social, política das comunidades, saberes ancestrais, cultura alimentar e alimentação saudável.
 

O tema do encontro, "Nossa Voz, Nossa História", buscou a valorização dos saberes ancestrais, organização comunitária e defesa dos territórios quilombolas. A programação intensa e cheia de significado contou com mesa institucional com associações e parceiros, espaço para a voz da juventude, roda intergeracional resgatando a história dos Quilombos de Oriximiná e sobre o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), além de apresentações culturais.
 

O encontro foi idealizado pelo Coletivo Juventude Quilombola em Movimento (Kijana) com apoio do Coletivo de Mulheres Pretas Maria (do Quilombo Boa Vista Trombetas) e das oito associações dos territórios quilombolas de Oriximiná e parceiros.
 

“Nós iniciamos a construção deste encontro em janeiro junto às nossas lideranças e parceiros, ele é fruto de uma construção coletiva da juventude para a juventude e isso é muito importante. As lideranças abriram caminhos e nós precisamos dar continuidade a esse legado, conhecer nossas histórias, território e preservar a nossa identidade.”, declarou Geisa Cordeiro, coordenadora do Kijana. 
 

Histórias que inspiram e a formação de novas lideranças 

O evento contou com a presença de jovens lideranças dos oito territórios quilombolas de Oriximiná
 

Rosemi Silvério é liderança quilombola no território Mãe Domingas, coordenador da comunidade de Tapagem e desde cedo acompanhou o pai nos movimentos em busca da titulação do território. Hoje, aos 56 anos, ele conhece a importância da formação de lideranças.
 

“Quando eu comecei a trabalhar com grupo de jovens, eu tinha 14 a 15 anos. Com 20 anos assumi como coordenador da comunidade e anos depois, como coordenador de jovens. Hoje, vendo o movimento, eu fico muito feliz porque há muito tempo a gente não tinha mais este encontro de jovens. Para mim, é uma realização muito grande e eu espero que esse movimento passe de geração para geração.”
 

Dos mais velhos aos mais jovens, o encontro atravessa o tempo e ganha ressignificado com a entrada dos jovens quilombolas na universidade por meio do Processo Seletivo Especial Quilombola (PSEQ).

Gustavo dos Santos é acadêmico do curso de Letras na Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa) e coordenador de Jovens do quilombo Passagem, em Monte Alegre. Para ele, o encontro de jovens é a oportunidade de agregar conhecimento.
 

“A importância desse evento para nós como jovens é adquirir conhecimento, porque aqui podemos debater entre nós quais são as nossas demandas e as dificuldades dentro do nosso quilombo, nas universidades. O meu quilombo, por exemplo, tem um número expressivo de estudantes nas universidades, mas há também um índice grande de desistência, então nestes eventos a gente debate o que está acontecendo e como podemos melhorar enquanto coletivo.” 
 

Cultura alimentar, saberes ancestrais e fortalecimento do PNAE

A roda de conversa sobre alimentação saudável contou coma participação de lideranças e jovens quilombolas
 

O Programa Florestas de Valor do Imaflora, conduziu a roda de conversa sobre o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), Política Federal que assegura o crescimento, desenvolvimento, aprendizagem e a formação de hábitos saudáveis aos estudantes, além da geração de renda por meio da comercialização direta de produtos da agricultura familiar.
 

“Hoje a gente fez a roda de conversa sobre alimentação saudável ancestral e sobre o PNAE para que eles tenham maior conhecimento sobre o que é essa política, qual a importância e como eles podem acessar e assim fortalecer as suas associações. Ao ter acesso a essa política, as famílias melhoram a sua renda e a sua qualidade de vida, ao mesmo tempo em que as crianças passam a ter uma alimentação mais saudável dentro das escolas públicas”, enfatizou Andrea Araújo da Silva, analista técnica do Imaflora.
 

Alimentação saudável, preservação dos saberes ancestrais e a manutenção da cultura alimentar, principalmente dentro das escolas públicas, fizeram parte da roda de conversa. Elaine Salgado é coordenadora de Mulheres junto à Associação Das Comunidades Remanescentes de Quilombo do Erepecuru (Acorqe) e comercializa seus produtos por meio do PNAE.

“Falar nessa roda de conversa é um momento muito especial onde a gente passa o conhecimento para a juventude, como a importância da alimentação saudável e do PNAE, que proporciona a geração de renda para as nossas comunidades e que melhora a condição financeira das famílias. Tudo isso é muito gratificante.”, complementou Elaine Salgado, coordenadora de Mulheres da ACORQE.
 

Parceria sustentável e legado para as próximas gerações
 

Parceiro das comunidades quilombolas de Oriximiná desde 2012, o Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora) apoia diversas linhas de projetos voltados ao desenvolvimento sustentável e à manutenção da floresta em pé. Dentro do Programa Florestas de Valor, as ações são voltadas ao fortalecimento de negócios comunitários, agroecologia e estruturação de cadeias da sociobiodiversidade.
 

“É uma satisfação enorme estar  nesse encontro na Tapagem e estar contribuindo com a formação destas novas lideranças comunitárias, comprometidas com as suas organizações de base, com o desenvolvimento dos seus territórios e cultura. Estes jovens são o presente e futuro dos territórios quilombolas”, ressaltou Andrea.
 

Ao todo, foram três dias de programação, um evento idealizado pelos jovens e que deixa um recado importante: a construção coletiva e participativa é a alternativa para avançar na conquista de direitos.
 

“Eu tenho muito orgulho do que a gente construiu, aqui tem jovens de diversas comunidades da região e esse é um encontro histórico. Eu entrei na universidade pelo PSEQ, que foi uma luta coletiva das lideranças, e voltei para o meu território. No futuro eu vejo a juventude sendo referência de liderança, e eu tenho certeza de que as próximas gerações terão orgulho do legado que a gente construiu”, concluiu Geisa Cordeiro.

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