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Imaflora leva à SOBRE experiência em restauração, equidade racial e monitoramento de projetos

24/07/2026

Participação na conferência reúne roda de diálogo com o CEERT, apresentação de pesquisas e intercâmbio sobre planejamento, implementação, salvaguardas, MRV e verificação independente

 

O Imaflora participa da VI Conferência Brasileira de Restauração Ecológica — SOBRE, realizada na Universidade de Brasília (UnB), com uma agenda que combina debate institucional, pesquisa aplicada e soluções para ampliar a qualidade e a integridade dos projetos de restauração no Brasil.

 

A participação é uma oportunidade para compartilhar a experiência acumulada pela organização de estabelecer novas conexões com empresas, governos, financiadores, pesquisadores e organizações da sociedade civil que atuam na agenda.

 

Experiência aplicada às diferentes etapas da restauração

O Imaflora atua em diferentes biomas e contextos, apoiando projetos desde o planejamento e a estruturação inicial até a implementação, o monitoramento e a avaliação de resultados.

 

Essa atuação inclui a realização de due diligence técnica, o desenvolvimento e a aplicação de salvaguardas socioambientais, o planejamento territorial, o uso de tecnologias de sensoriamento remoto e a verificação independente de projetos. A organização também desenvolve soluções de monitoramento, relato e verificação - MRV - para mensuração de carbono, incluindo o Carbon on Track (CoT).

 

Ao longo dessa trajetória, o Imaflora tem trabalhado com iniciativas de diferentes escalas, incluindo restauração ecológica, sistemas agroflorestais, projetos de carbono e pesquisas aplicadas voltadas à restauração e às soluções baseadas na natureza.

 

Essa combinação entre conhecimento técnico e atuação prática permite apoiar organizações desde a concepção dos projetos até a análise de seus resultados ecológicos, climáticos e socioambientais. A presença na SOBRE, portanto, também busca ampliar o diálogo sobre novas parcerias, verificações, sistemas de monitoramento e outras soluções capazes de fortalecer a restauração com qualidade, transparência e integridade.

 

Equidade racial no setor de restauração

No dia 29 de julho, das 14h às 16h, no IB - Auditório 3, o Imaflora e o CEERT realizam a roda de diálogo “Barreiras estruturais à equidade racial nas empresas de restauração e caminhos de superação estratégica”.

 

A atividade apresentará reflexões construídas a partir de um diagnóstico quali-quantitativo realizado no âmbito da Formação em Equidade Racial, conduzida pelo CEERT em parceria com o Imaflora e com a participação de empresas do setor florestal.

 

O debate abordará os principais obstáculos que afetam a inclusão, a permanência e o desenvolvimento de profissionais negros nas organizações. Também serão discutidos caminhos para incorporar a equidade racial às práticas de liderança, gestão de pessoas, produção de indicadores e governança empresarial.

 

A proposta é avançar da identificação das desigualdades para a discussão de mudanças estruturais capazes de tornar as organizações do setor mais diversas, inclusivas e equitativas. Em uma agenda que mobiliza investimentos, postos de trabalho, conhecimento e decisões sobre os territórios, a equidade precisa integrar a própria concepção de uma restauração socialmente responsável.

 

A conversa será mediada por Malú Santana, assistente técnica do Imaflora, e contará com a participação de Júlia Rosemberg e Mario Rogério Silva, ambos do CEERT.

 

Júlia Rosemberg é psicóloga social e clínica, escritora e revisora sensível. Atua desde 2002 nas agendas de diversidade, equidade e inclusão, é especialista em relações raciais no CEERT e assistente sênior de pesquisa da Dra. Cida Bento. Também coordena a Coalizão Empresarial para Equidade Racial e de Gênero e é fundadora da TECIDAS 360.

 

Mario Rogério Silva é diretor de Indicadores do CEERT, mestre em Ciências Sociais pela PUC-SP e especialista em indicadores e diversidade. Atua desde 2006 na realização de censos da diversidade em organizações públicas, privadas e da sociedade civil. Entre outras experiências, coordenou diferentes edições do programa Valorização da Diversidade - FEBRABAN.

 

Além da roda de diálogo, o Imaflora apresentará quatro trabalhos técnicos e científicos que traduzem desafios concretos da restauração em metodologias, ferramentas e evidências aplicáveis a diferentes territórios.

 

Os estudos abordam desde a mobilização de proprietários rurais e a identificação de áreas prioritárias até o monitoramento independente de projetos em larga escala e a governança das salvaguardas socioambientais na Amazônia.

 

Engajamento de proprietários rurais no Projeto Plantar Vida

 

O trabalho “Metodologias de Engajamento da Restauração Florestal para Produtores Rurais: estudo de caso do Projeto Plantar Vida” analisa as principais barreiras enfrentadas por proprietários rurais para aderir voluntariamente a iniciativas de restauração e compara estratégias utilizadas para aproximá-los do projeto.

 

Realizado na bacia hidrográfica do rio Camanducaia, na região de Amparo, em São Paulo, e municípios próximos, o estudo avaliou quatro metodologias de engajamento: presencial individual, presencial coletiva, virtual individual e virtual coletiva.

 

A análise combinou dados sobre contatos, manifestações de interesse e adesões com informações obtidas em visitas técnicas, reuniões, conversas por WhatsApp, formulários de inscrição e eventos com produtores.

 

Os resultados indicam que o contato presencial individual apresentou maior capacidade de converter proprietários em participantes. Nas abordagens coletivas, os encontros presenciais registraram maior proporção de manifestações de interesse, enquanto as estratégias virtuais ampliaram o alcance e a circulação das informações na região.

 

Entre as barreiras identificadas estão a percepção de perda de área produtiva, a ausência de incentivos financeiros, os custos de manutenção, as dificuldades administrativas e legais e os receios relacionados às responsabilidades contratuais.

 

O trabalho aponta que a combinação entre estratégias presenciais e virtuais, educação ambiental e mecanismos de incentivo pode tornar os projetos mais próximos da realidade das propriedades e ampliar a adesão voluntária à restauração.

 

Protocolo para verificar resultados da restauração em grande escala

O pôster “Protocolo de Verificação - MRV de Indicadores Ecológicos para Restauração Florestal em Grande Escala no Bioma Amazônia” apresenta uma metodologia destinada a verificar, de maneira independente, a efetividade e a conformidade de ações realizadas em áreas extensas.

 

O protocolo foi estruturado em três níveis complementares. O primeiro utiliza dados de sensoriamento remoto para analisar grandes extensões territoriais. O segundo combina validação terrestre com tecnologias como LiDAR e drones. O terceiro concentra o monitoramento de campo nas áreas identificadas como mais críticas ou vulneráveis.

 

Entre os indicadores considerados estão altura e cobertura do dossel, presença de clareiras, densidade de indivíduos e regenerantes, estratificação da vegetação, heterogeneidade estrutural e biomassa lenhosa acima do solo.

 

A integração de dados espaciais, tecnologias de monitoramento e informações de campo permite identificar gradientes de vulnerabilidade, priorizar áreas para verificação presencial e detectar precocemente possíveis falhas no processo de restauração.

A metodologia também pode contribuir para padronizar auditorias, reduzir custos operacionais e aumentar a confiabilidade das informações apresentadas pelos responsáveis por projetos de grande escala. 
 

Áreas prioritárias na bacia do rio Camanducaia

O estudo “Mapeamento de Áreas Prioritárias para Restauração Florestal na Bacia do Rio Camanducaia”desenvolveu uma metodologia espacial para identificar e hierarquizar locais nos quais os investimentos em restauração podem gerar maiores benefícios ambientais e hidrológicos.
 

A análise integrou informações sobre relevo, hidrologia, uso e cobertura do solo, fragmentação florestal, estrutura fundiária, déficits de vegetação nativa e estoque de carbono.
 

A partir desses indicadores, as unidades hidrográficas da bacia foram organizadas em seis classes de prioridade, variando de muito alta a muito baixa. As áreas consideradas mais prioritárias apresentaram baixa cobertura de vegetação nativa, elevada fragmentação dos remanescentes, predominância de usos antrópicos e déficits expressivos de Áreas de Preservação Permanente e Reserva Legal.
 

A pesquisa estimou um potencial de restauração de aproximadamente 7 mil hectares, dos quais cerca de 4,9 mil hectares correspondem a déficits de Reserva Legal e 2,3 mil hectares a déficits de Áreas de Preservação Permanente.
 

Caso esse potencial seja alcançado, a cobertura de vegetação nativa da área estudada poderá passar de 22,5% para 33,3%.
 

A metodologia oferece uma base técnica para orientar investimentos, apoiar o planejamento territorial e direcionar recursos aos locais em que a restauração apresenta maior potencial de gerar benefícios para a paisagem e para os recursos hídricos. 
 

Salvaguardas socioambientais e justiça climática na Amazônia

O trabalho “Salvaguardas Socioambientais como Instrumentos de Justiça Climática: mapeamento de atores da restauração florestal na Amazônia” analisa a arquitetura institucional envolvida na implementação de salvaguardas em projetos de restauração no bioma.
 

A pesquisa combinou revisão sistemática da literatura, análise de políticas públicas, relatórios institucionais e descrições de projetos em larga escala, além de entrevistas semiestruturadas com 26 representantes de órgãos governamentais, organizações da sociedade civil, setor privado e comunidades locais.
 

A partir de uma abordagem de coprodução do conhecimento, o estudo construiu um mapa funcional dos atores envolvidos. Entre as categorias identificadas estão detentores da terra, fornecedores de insumos, agentes de regulação e fiscalização, provedores e captadores de recursos, responsáveis pela implementação e pelo monitoramento, além de atores de mercado e consumo.
 

Comunidades, instituições produtoras de conhecimento e atores de influência aparecem como dimensões transversais ao sistema de salvaguardas.
 

O mapeamento permite identificar protagonismos, sobreposições de funções, lacunas de governança e mecanismos de responsabilização. Seus resultados podem apoiar gestores públicos, financiadores e comunidades locais no aprimoramento de normas e práticas, fortalecendo as salvaguardas como instrumentos de proteção de direitos e promoção da justiça climática na restauração amazônica. 
 

Da pesquisa aplicada à construção de parcerias

Em conjunto, os quatro trabalhos mostram que ampliar a restauração exige mais do que estabelecer metas de área ou realizar plantios. É necessário compreender as barreiras enfrentadas pelos proprietários, decidir estrategicamente onde restaurar, criar sistemas confiáveis de monitoramento e verificação e estabelecer salvaguardas capazes de proteger direitos e orientar a atuação dos diferentes agentes.
 

Esses estudos representam parte de uma atuação mais ampla do Imaflora, que aproxima ciência, planejamento, participação social, tecnologias de monitoramento, integridade socioambiental e prática nos territórios.
 

Durante a SOBRE, a equipe da organização estará disponível para dialogar sobre desenvolvimento e avaliação de projetos, monitoramento ecológico e de carbono, Carbon on Track, verificações independentes, salvaguardas socioambientais, sensoriamento remoto, estudos aplicados e outras soluções para a restauração e as soluções baseadas na natureza.
 

Quem estiver no evento poderá procurar o Imaflora para conhecer os trabalhos apresentados, trocar experiências e identificar possibilidades de cooperação.
 

Serviço
 

Roda de diálogo

Barreiras estruturais à equidade racial nas empresas de restauração e caminhos de superação estratégica

Data: 29 de julho de 2026 
Horário: das 14h às 16h 
Local: IB — Auditório 3 
Realização: Imaflora e CEERT 
Mediação: Malú Santana, Imaflora 
Painelistas: Júlia Rosemberg e Mario Rogério Silva, CEERT
 

Apresentações de pôsteres

Protocolo de Verificação - MRV de Indicadores Ecológicos para Restauração Florestal em Grande Escala no Bioma Amazônia 
28 de julho | 16h30 às 18h30
 

Mapeamento de Áreas Prioritárias para Restauração Florestal na Bacia do Rio Camanducaia 
28 de julho | 16h30 às 18h30
 

Metodologias de Engajamento da Restauração Florestal para Produtores Rurais: estudo de caso do Projeto Plantar Vida 
29 de julho | 16h às 18h
 

Salvaguardas Socioambientais como Instrumentos de Justiça Climática: mapeamento de atores da restauração florestal na Amazônia 
29 de julho | 16h às 18h

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