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Agropecuária mantém estabilidade nas emissões pelo segundo ano consecutivo

21/10/2026

Em 2025, o setor emitiu praticamente a mesma quantidade de gases de efeito estufa do ano anterior. O recorde de abate de bovinos contribuiu para reduzir as emissões da pecuária, enquanto a agricultura registrou alta, impulsionada pelo recorde de produção e pela ampliação da área cultivada.

 

As emissões brutas da agropecuária brasileira somaram 626,3 milhões de toneladas de CO₂ equivalente (MtCO₂e) em 2025, praticamente o mesmo registrado no ano anterior (626,7 MtCO₂e). A redução de 0,07% foi a menor variação anual desde 1970 e resultou de aumento das emissões na atividade agrícola e queda na pecuária. As emissões da pecuária recuaram 1,68%, para 494,1 MtCO₂e, enquanto as da agricultura cresceram 6,45%, chegando a 132,1 MtCO₂e. Os dados fazem parte do Seeg, o Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa do Observatório do Clima, cuja 14ª coleção foi lançada nesta quarta-feira (21). 

O gado de corte continuou sendo a principal fonte de emissões, com 410,7 MtCO₂e, responsável por 65,6% das emissões totais do setor. Em seguida, está a bovinocultura leiteira, com 48,6 MtCO₂e. As emissões das duas fontes caíram 1,7% e 2,9%, respectivamente, e, juntas, corresponderam a 73,3% das emissões agropecuárias. Na sequência, aparecem os fertilizantes sintéticos nitrogenados e o calcário, cujas emissões aumentaram. Juntos, responderam por 9,9% do total, com 33 MtCO₂e e 29,2 MtCO₂e, respectivamente. As demais fontes representaram 16,7% do volume emitido.

“Ao final, parte da redução das emissões de gases de efeito estufa (GEE) da atividade pecuária foi compensada pelo aumento das emissões da agricultura, decorrente da alta na produção agrícola. O setor agropecuário tem margem para continuar ampliando a produção com redução de emissões. Esse avanço pode ser alavancado pela expansão de tecnologias e boas práticas de manejo, para a produção animal e agrícola, contribuindo para a maior produtividade do setor. É uma oportunidade de conciliar aumento de produção com mitigação das emissões”, afirma Gabriel Quintana, coordenador de Ciência do Clima no Imaflora.

Evolução por subsetores

O principal fator para a redução das emissões da pecuária foi a queda nos níveis de fermentação entérica, que contabiliza o metano liberado pelo “arroto” do boi. Em 2025, esse subsetor emitiu 396,8 MtCO₂e, queda de 1,8% em relação a 2024, quando registrou 404,1 MtCO₂e. Historicamente, a fermentação entérica é a principal fonte de emissões da atividade e sua redução deveu-se ao recorde no abate de bovinos e na produção de carcaças: foram abatidos 42,94 milhões de animais, e a produção chegou a 11,1 milhões de toneladas — aumentos de 8,2% e 7,2%, respectivamente. Foi o segundo ano consecutivo de alta no abate, e o rebanho nacional caiu para 234,2 milhões de animais, cerca de 1,7% abaixo do registrado em 2024. O rebanho leiteiro também diminuiu 2,7% no período, somando 14,7 milhões de vacas ordenhadas. Mesmo com a redução do rebanho, a produção de leite cresceu novamente, cerca de 2,7%, e atingiu o recorde de 36,7 bilhões de litros, segundo dados do IBGE.

Na agricultura, o aumento das emissões foi puxado pelo subsetor de solos manejados, que reúne as emissões do manejo dos solos agrícolas, do uso de fertilizantes sintéticos nitrogenados e de calcário, dos dejetos animais e da decomposição de resíduos agrícolas. Essas emissões somaram 188,6 MtCO₂e, alta de 3% em relação aos 183,2 MtCO₂e do ano anterior e o maior volume já registrado pela atividade. A produção de cereais, leguminosas e oleaginosas chegou a 345,4 milhões de toneladas, 18,2% acima de 2024, enquanto a área cultivada aumentou 4,1 milhões de hectares, alcançando 101,3 milhões de hectares. 

Também subiram as emissões dos subsetores de manejo de dejetos animais (29,4 MtCO₂e) e de cultivo de arroz irrigado (11,2 MtCO₂e): 0,7% e 13,0%, respectivamente. Em sentido contrário, a queima de resíduos agrícolas da cana-de-açúcar emitiu cerca de 0,3 MtCO₂e, redução de 30,3% em relação a 2024 e maior queda entre os subsetores.

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