Atividade reuniu 32 agricultores e agricultoras do Projeto de Assentamento Divino Pai Eterno para formação prática sobre manejo do cacaueiro, controle de pragas e implantação de sistemas agroflorestais
Agricultores e agricultoras do Projeto de Assentamento (PA) Divino Pai Eterno, na Vila Novoeste, em São Félix do Xingu (PA), participaram, nos dias 23 e 24 de setembro, de uma capacitação técnica voltada ao manejo sustentável do cacaueiro e à implantação de sistemas agroflorestais (SAFs). Realizada pelo Programa Florestas de Valor, do Imaflora, com apoio da Porticus e em parceria com a Comissão Pastoral da Terra (CPT), a atividade reuniu 32 participantes.
Realizada no Sítio Renascer, propriedade do agricultor Lorivaldo, conhecido como Louro, a formação combinou conteúdos teóricos, práticas de campo e atividades participativas. A proposta foi aproximar o conhecimento técnico da realidade das famílias agricultoras, valorizando a troca de experiências e a construção coletiva de soluções para os desafios encontrados no cultivo do cacau.
“A capacitação foi pensada para que os agricultores pudessem não apenas receber informações, mas experimentar as práticas e trocar conhecimentos a partir da realidade de suas próprias propriedades”, explica Jefferson Campos, analista técnico do Imaflora e responsável pela atividade.
Do conhecimento à prática

No primeiro dia de formação, os participantes conheceram estratégias para o manejo de pragas e doenças do cacaueiro, com destaque para a preparação e utilização das caldas bordalesa e sulfocálcica. Também foram apresentadas alternativas de baixo custo que podem ser preparadas nas propriedades, como extratos de alho e pimenta, sabão neutro diluído e óleo de neem.
Além de conhecer as possibilidades de uso, os agricultores receberam orientações sobre cuidados no preparo e na aplicação, incluindo a utilização de equipamentos de proteção individual, testes em poucas plantas antes da aplicação em toda a área, horários adequados e armazenamento seguro.
Na parte prática, os participantes produziram as caldas bordalesa e sulfocálcica e, em seguida, realizaram atividades de manejo nos cacaueiros da propriedade. Foram feitas podas de manutenção e fitossanitárias, com a retirada de ramos secos, doentes e improdutivos. Após os cortes, foi aplicada pasta bordalesa para proteção dos ferimentos.
No segundo dia, a formação avançou para o planejamento da lavoura, abordando desde a implantação até a formação dos cacaueiros. Os participantes realizaram práticas de aplicação da calda sulfocálcica, poda de formação e balizamento do plantio, com alinhamento e marcação das covas de acordo com o espaçamento.
Cacau integrado à floresta
Outro destaque da capacitação foi a abordagem sobre Sistemas Agroflorestais (SAFs), apresentada pela consultora Keylah Borges. O conteúdo mostrou como o cacau pode ser integrado a diferentes espécies agrícolas e florestais, formando sistemas produtivos que combinam geração de renda, diversificação da produção e conservação dos recursos naturais.
Foram discutidos conceitos, tipos e objetivos dos SAFs, além de aspectos relacionados à escolha da área, preparo do solo, implantação, adubação, plantio, manejo, colheita e comercialização. Também foram compartilhadas experiências de sistemas agroflorestais desenvolvidos em São Félix do Xingu. A atividade permitiu que o planejamento dos sistemas agroflorestais fosse discutido a partir do conhecimento e das experiências das próprias famílias.
Produção, renda e floresta em pé
Para o Imaflora, iniciativas de formação técnica como essa contribuem para ampliar a autonomia das famílias agricultoras e fortalecer modelos produtivos que associam geração de renda e conservação ambiental.
Ao aprimorar práticas de manejo, diversificar os cultivos e planejar sistemas agroflorestais, as famílias podem reduzir a dependência de insumos externos e melhorar as condições de produção. No caso do cacau, a integração com espécies agrícolas e florestais também permite construir sistemas mais diversificados e adaptados às características do território.
“A ideia é que o conhecimento trabalhado durante a capacitação seja aplicado no dia a dia das propriedades e possa contribuir para melhorar a produção, a renda das famílias e, ao mesmo tempo, fortalecer práticas que mantenham a floresta em pé”, destaca a equipe técnica do Programa Florestas de Valor.
Ao final dos dois dias, cada família participante recebeu um kit de poda, com tesoura e serrote, para apoiar a aplicação das técnicas aprendidas nas próprias propriedades.
Acompanhamento continua em novembro
A formação terá continuidade com visitas técnicas previstas para novembro de 2026. A equipe do Imaflora deverá acompanhar as famílias participantes para verificar a aplicação das práticas trabalhadas durante a capacitação, como podas de formação, manutenção e fitossanitária, utilização das caldas e planejamento dos sistemas agroflorestais com cacau.
As visitas também serão uma oportunidade para esclarecer dúvidas e oferecer orientações individualizadas, considerando as características e necessidades de cada lote.
Durante esse período, os agricultores e agricultoras que participaram da capacitação também receberão os certificados de participação.


