Oficina promovida pelo Programa Florestas de Valor reuniu 23 participantes e aproximou conhecimentos tradicionais e práticas agroecológicas para estimular uma produção mais sustentável e fortalecer o desenvolvimento local

Nos dias 25 e 26 de agosto, a Comunidade Bacabal, no território da Associação das Comunidades Remanescentes de Quilombos da Área Trombetas (ACORQAT), em Oriximiná (PA), recebeu a oficina “Sistemas Agroflorestais: produção sustentável e recuperação ambiental”. Promovida pelo Programa Florestas de Valor, a atividade reuniu 23 participantes de seis comunidades quilombolas, entre 11 mulheres, 12 homens e cinco jovens, em uma agenda dedicada à troca de conhecimentos e ao fortalecimento da agricultura familiar.
Conduzida pela engenheira florestal Maria Soliane Sousa Costa, a oficina teve como foco ampliar a autonomia produtiva das comunidades a partir da integração entre saberes tradicionais e princípios da agroecologia. Ao longo dos dois dias, os participantes conheceram conceitos e estratégias para planejamento e implantação de Sistemas Agroflorestais (SAFs), seleção de espécies e consórcios produtivos, além de práticas de manejo sustentável do solo e da água e dos benefícios econômicos e ambientais desses sistemas.
A formação também saiu da sala de aula e foi para o campo. Os participantes visitaram um SAF já implantado na própria comunidade e receberam orientações práticas sobre manejo, adubação e cuidados com as espécies cultivadas. Na atividade, os próprios agricultores puderam colocar o conhecimento em prática. Um experimento demonstrativo também mostrou, de forma concreta, a importância da cobertura do solo para conservar a umidade, reduzir a erosão e melhorar sua fertilidade.

Mais do que ensinar técnicas de cultivo, iniciativas como essa contribuem para criar alternativas de produção capazes de conciliar geração de renda, segurança alimentar e conservação ambiental. Ao fortalecer a capacidade das comunidades de manejar seus territórios de forma sustentável, os SAFs podem contribuir para recuperar áreas, diversificar a produção e valorizar o conhecimento local, criando condições para que o desenvolvimento econômico aconteça sem abrir mão da floresta.
Esse equilíbrio é especialmente importante na Amazônia, onde a conservação dos territórios está diretamente relacionada às condições de vida das populações que neles vivem. Fortalecer agricultores familiares e comunidades quilombolas significa também fortalecer seus conhecimentos, sua autonomia e sua capacidade de produzir mantendo a floresta em pé.
A participação de cinco jovens na oficina reforça, ainda, outro aspecto estratégico: a continuidade desses conhecimentos entre as novas gerações. Ao aproximar juventude, agricultura familiar, conhecimento tradicional e práticas agroecológicas, atividades de formação como essa ajudam a construir perspectivas de futuro para os territórios e para quem vive neles.



