Com apoio do Imaflora, BNDES e Fundo Amazônia, cooperativa amplia capacidade produtiva em 50% e passa a agregar valor localmente à castanha-do-pará coletada por comunidades tradicionais e povos indígenas.
A Cooperativa Alternativa Mista dos Pequenos Produtores do Alto Xingu (CAMPPAX) inaugurou sua nova unidade de beneficiamento de castanha-do-pará, um marco para a sociobioeconomia da região. A estrutura amplia a capacidade de processamento de 2 para 3 toneladas mensais de castanha beneficiada e fortalece um modelo de desenvolvimento baseado na geração de renda, na valorização dos produtos da floresta e na conservação ambiental.
O empreendimento foi viabilizado pelo Programa Florestas de Valor, por meio da parceria entre o Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora) e a CAMPPAX, com apoio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e do Fundo Amazônia.
Até então, grande parte da produção era comercializada in natura. Com a nova fábrica, a cooperativa passa a realizar localmente etapas como secagem, seleção, quebra e embalagem, agregando valor ao produto e ampliando o retorno econômico para os produtores.
RENDA, FLORESTA E DESENVOLVIMENTO
A castanha-do-pará é um dos principais produtos da sociobiodiversidade amazônica e representa uma importante fonte de renda para centenas de famílias da região. Segundo Raimundo Freire, presidente da CAMPPAX, a nova estrutura transforma a realidade econômica da cooperativa e dos coletores.
"Antes da nova fábrica, a castanha era comercializada majoritariamente em estado bruto. Agora, a agregação de valor se reflete diretamente na remuneração dos coletores, fortalecendo toda a cadeia produtiva."
Além do impacto econômico, o projeto beneficia diretamente comunidades extrativistas e povos indígenas Kayapó e Apyterewa, reconhecidos por sua atuação histórica na proteção dos castanhais e dos territórios florestais.
PARCERIA QUE FORTALECE A SOCIOBIOECONOMIA
A parceria entre CAMPPAX e Imaflora teve início em 2017, inicialmente com ações voltadas à cadeia do cacau. Com o amadurecimento do trabalho conjunto, o foco foi ampliado para o fortalecimento estrutural da cadeia da castanha.
Para Lucas Faria, analista técnico do Imaflora, o empreendimento demonstra o potencial da sociobioeconomia como estratégia de desenvolvimento sustentável para a Amazônia. "O Programa Florestas de Valor aposta no fortalecimento da sociobioeconomia conciliando conservação da floresta, geração de renda e desenvolvimento sustentável. Com esta fábrica, a riqueza produzida na floresta permanece no território e beneficia diretamente as famílias locais", afirma.
UM SONHO CONSTRUÍDO COLETIVAMENTE
A inauguração simboliza uma trajetória de crescimento construída ao longo dos anos pelos cooperados. Segundo o gerente administrativo da CAMPPAX, Padre Danilo, a nova unidade representa a concretização de um sonho coletivo. "Começamos em espaços pequenos e fomos crescendo passo a passo. Hoje temos uma estrutura moderna e organizada, preparada para ampliar nossa produção e alcançar novos mercados", afirma.
A expectativa é expandir a comercialização da castanha beneficiada para diferentes regiões do país, com foco nos mercados de Tocantins, Minas Gerais e São Paulo.

