Logo

Oficina fortalece rastreabilidade e organização das cadeias da sociobiodiversidade na região de Oriximiná/PA

19/08/2026

Formação reuniu 12 participantes na sede da Coopaflora e discutiu desafios enfrentados por entrepostos indígenas e quilombolas na compra, transporte, armazenamento e comercialização de produtos como castanha, cumaru e copaíba

 

 

 

A organização das cadeias da sociobiodiversidade nos territórios indígenas e quilombolas passa pelo fortalecimento de quem está na ponta do processo de comercialização. Esse foi um dos principais focos da Oficina de Rastreabilidade, realizada nos dias 6 e 7 de agosto, na sede da Coopaflora – Cooperativa Mista dos Povos e Comunidades Tradicionais da Calha Norte. A atividade reuniu 12 participantes, sendo sete mulheres e cinco homens, com diferentes experiências na atuação como entrepostos.

 

Ao longo dos dois dias, a formação abordou o papel dos entrepostos na cadeia de comercialização dos produtos da sociobiodiversidade. Esses agentes atuam diretamente na compra da produção nos territórios e como articuladores das comunidades, divulgadores da cooperativa e elo entre extrativistas, associações e a Coopaflora.

 

A oficina trabalhou aspectos práticos da atuação dos entrepostos, como realização das compras, adoção de boas práticas, preenchimento de recibos, envio de informações à cooperativa, prestação de contas, organização dos produtos e comunicação com as comunidades. Também foram discutidas competências necessárias para o trabalho, incluindo conhecimentos básicos de leitura, escrita, matemática e medidas, além de capacidade de comunicação e escuta.

 

Rastreabilidade conecta território, produção e mercado

 

 

Um dos principais eixos da formação foi a rastreabilidade dos produtos, considerada fundamental para garantir maior organização, transparência e confiabilidade às cadeias da sociobiodiversidade.

 

Durante a oficina, os participantes conheceram e discutiram o fluxo de informações que acompanha o produto desde o extrativista, passando pelo entreposto e pela Coopaflora, até chegar ao comprador. Nesse processo, podem ser utilizados registros de pontos de GPS, recibos físicos ou digitais, planilhas de controle, relatórios, mapas e bancos de dados geográficos.

 

“Organizar essas informações significa também dar mais segurança ao produtor e aos demais atores da cadeia, permitindo conhecer melhor a origem dos produtos e aprimorar os processos de comercialização”, foi uma das perspectivas trabalhadas durante a formação.

 

A atividade também incluiu orientações para criação e acesso à conta Gov.br e utilização da assinatura digital. A medida é necessária para formalizar documentos relacionados aos adiantamentos recebidos pelos entrepostos para a compra dos produtos nos territórios.

 

Desafios da safra da castanha

 

Além da formação, os participantes realizaram uma avaliação da safra da castanha e compartilharam os principais desafios enfrentados nos territórios. Entre os pontos levantados está a disputa pela compra da produção, marcada pela presença de diferentes compradores e pela variação de preços praticados.

 

Os entrepostos destacaram ainda a busca por castanhas de melhor qualidade, mais limpas e sem problemas como “umbigos” ou castanhas cortadas, características que, segundo os participantes, nem sempre são valorizadas por outros compradores.

 

A logística aparece como outro desafio importante. A falta de recursos financeiros e de meios de transporte, como barcos e rabetas, pode dificultar o deslocamento até os locais onde os produtores comercializam sua produção. Em algumas situações, os entrepostos precisam aguardar os vendedores em suas próprias residências, o que pode aumentar o risco de perda da produção para outros compradores.

 

O transporte dos produtos até Oriximiná também foi apontado como um gargalo. A utilização de pequenas embarcações dificulta o deslocamento de grandes volumes e pode aumentar o risco de perdas ou extravios durante o percurso.

 

Estrutura de armazenamento é uma das prioridades

 

 

Outro desafio identificado durante a avaliação foi a necessidade de melhorar as estruturas de armazenamento. Em alguns casos, os produtos adquiridos são armazenados em espaços adaptados nas próprias residências dos entrepostos.

 

Entre as necessidades apontadas está a construção de estruturas mais adequadas, além da manutenção e adequação de armazéns já existentes.

 

Os participantes também apontaram a necessidade de um secador para o cumaru, equipamento que pode contribuir para melhorar as condições de conservação e armazenamento do produto.

 

Diversificação das cadeias e novos potenciais

 

A avaliação também trouxe informações sobre outros produtos existentes nos territórios. Seu José relatou a presença de uma quantidade significativa de breu na região da Serrinha, apontando uma possível oportunidade para ampliar o conhecimento e a avaliação sobre o potencial dessa cadeia da sociobiodiversidade.

 

Atualmente, entre os produtos comercializados pelos entrepostos participantes estão castanha, cumaru, copaíba e pimenta. Os territórios mencionados incluem Mapuera, Rio Cachorro, Mãe Domingas, Cachoeira da Pancada e Serrinha.

 

Para além dos aspectos produtivos e comerciais, os participantes também trouxeram uma reflexão sobre a representatividade de pessoas negras em mesas e espaços de destaque em eventos realizados pelo Imaflora, ressaltando a importância de ampliar a presença e a visibilidade dessas populações nesses espaços.

 

Fortalecimento que começa no território

 

Ao reunir conhecimentos técnicos e a experiência cotidiana de quem atua diretamente nos territórios, a oficina contribuiu para aproximar os procedimentos de rastreabilidade da realidade vivenciada pelos entrepostos. A proposta é que o aprimoramento dos registros, da prestação de contas, das boas práticas e da comunicação ajude a fortalecer as relações entre extrativistas, comunidades, associações e cooperativa.

 

Os próximos passos incluem o acompanhamento da atuação dos entrepostos nos territórios, o apoio aos processos de compra, registro, prestação de contas e rastreabilidade, além do monitoramento do uso das contas Gov.br e da assinatura digital. Também está prevista a identificação de dificuldades que possam demandar novos momentos de orientação e capacitação.

 

Mais do que organizar informações sobre os produtos, fortalecer a rastreabilidade significa dar maior visibilidade à origem da produção, valorizar os conhecimentos e modos de vida dos povos da floresta e contribuir para que as comunidades tenham maior autonomia na organização de suas próprias cadeias de comercialização.

 

A realização da oficina contou com a participação do Programa Florestas de Valor, do Imaflora, que atua no fortalecimento de iniciativas voltadas ao desenvolvimento sustentável nos territórios da Amazônia. Ações como essa são fundamentais para ampliar as capacidades de organizações, comunidades e agentes que atuam diretamente nas cadeias da sociobiodiversidade, fortalecendo a geração de renda, a autonomia e a valorização dos produtos e modos de vida locais. Ao contribuir para uma comercialização mais organizada, transparente e conectada às realidades dos territórios, iniciativas como a oficina também ajudam a criar condições para que a conservação da biodiversidade esteja associada a oportunidades econômicas, reforçando estratégias de desenvolvimento territorial e de manutenção da floresta em pé.

Newsletter

Não perca nenhuma novidade ou oportunidade! Assine nossa newsletter e receba diretamente no seu e-mail atualizações sobre nossos projetos, eventos, cursos, publicações e notícias do setor.


Contato

Sede

Escritórios

    © Todos os direitos reservados.

    Desenvolvido por MarkCom.