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Plano Clima apresenta atualizações para o setor agropecuário no contexto da agenda climática

23/03/2026

A publicação do Plano Clima Mitigação e Adaptação para o setor de Agricultura e Pecuária representa um passo relevante nos avanços da política climática brasileira. Pela primeira vez, o país estrutura de forma integrada ações voltadas à redução de emissões nos diferentes setores da economia, incluindo o agro, reconhecendo seu papel central na produção de alimentos e na agenda climática.

 

No caso da agropecuária, o plano consolida políticas já existentes e reforça a adoção de tecnologias de baixa emissão, como a recuperação de pastagens degradadas, os sistemas integrados de produção (ILPFs), o uso de bioinsumos e a ampliação da terminação intensiva, entre outros. Iniciativas como o Plano de Agricultura de Baixo Carbono - Plano ABC+ permanecem como eixo estruturante, ao mesmo tempo em que se amplia o reconhecimento da importância da agricultura familiar, da agroecologia e da transição justa no processo de adaptação e mitigação climática.

 

A nova versão do plano, no entanto, traz algumas mudanças em relação à proposta inicial. Entre elas, destaca-se a separação das emissões associadas ao uso da terra, como desmatamento e recomposição da vegetação nativa, para um outro plano setorial específico. Com isso, as metas relacionadas à produção agropecuária permanecem inalteradas, mantendo-se em torno de 628 milhões de toneladas de CO₂e em 2030 e entre 582 e 634 MtCO₂e em 2035. Essa alteração reduz o escopo direto do plano apenas para o setor produtivo e reforça a necessidade de articulação entre diferentes políticas para que os resultados climáticos sejam efetivos.

 

De modo geral, o plano mantém diretrizes já presentes em políticas anteriores, com foco em ganhos de eficiência produtiva e ampliação de práticas sustentáveis. Essa abordagem contribui para a continuidade das ações em curso e favorece a adesão do setor. Ao mesmo tempo, levanta questionamentos sobre a capacidade do plano de promover reduções mais expressivas de emissões, considerando o papel da agropecuária no perfil climático brasileiro.

 

Outro ponto relevante é a ausência de maior detalhamento sobre as metas e sua implementação. O plano apresenta objetivos agregados para o setor, sem explicitar metas por subsetor ou cadeia produtiva, o que dificulta o acompanhamento dos resultados e a identificação do papel de diferentes atividades, como a pecuária. Da mesma forma, ainda há lacunas no detalhamento de aspectos operacionais, especialmente no que diz respeito ao financiamento das ações e à estruturação de sistemas de monitoramento, relato e verificação das emissões.

 

Embora o plano reconheça a importância da redução de metano, especialmente no contexto da pecuária, ainda não apresenta estratégias específicas ou metas dedicadas para esse gás, que é um dos principais responsáveis pelas emissões do setor. O avanço nessa agenda será fundamental para fortalecer a contribuição da agropecuária para as metas climáticas do país.

 

A efetividade do plano dependerá, em grande medida, do fortalecimento de políticas públicas complementares. A ampliação de instrumentos financeiros, o desenvolvimento de sistemas robustos de monitoramento e a integração com outras iniciativas em andamento, como a Plataforma Brasil Agro+Sustentável e a Taxonomia Sustentável Brasileira, serão essenciais para dar escala às ações propostas.

 

O Plano Clima para a agropecuária estabelece, assim, uma base importante para a agenda climática no país. Ao mesmo tempo, evidencia que ampliar a ambição, o detalhamento e a integração das políticas será decisivo para alinhar o setor aos desafios da transição para uma economia de baixo carbono. Nesse contexto, a inclusão da agricultura familiar, da agroecologia e de abordagens de transição justa representa um avanço relevante, ao reconhecer a diversidade dos sistemas produtivos e a necessidade de soluções adaptadas aos diferentes territórios. O fortalecimento desses elementos, aliado à ampliação de instrumentos de financiamento, monitoramento e assistência técnica, será fundamental para garantir que a transição ocorra de forma efetiva, inclusiva e em escala.

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